História

Tunas é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul. De 1900, tempo de formação dos povoados do Rio Grande do Sul, época em que havia pouca comunicação e pouco meio de transporte, carreteiros alemães que vinham de Porto Alegre a Cruz Alta até à fronteira, trazendo mercadorias como charque, sal, utensílios domésticos, tecidos, louças e pequenos moveis nas grandes carretas puxadas por várias juntas de bois, passavam por Tunas.

O local ficou conhecido por Tunas, pois ali existia uma planta da família das cactáceas de nome tuna. Assim, Tunas ficou conhecida e nasceu, especificamente no ano de 1918, quando o fazendeiro Abílio Rodrigues, que morava em Soledade, começou a se desfazer de uma terra que não ocupava vendendo boa parte da região fértil a Jacó Teleken e Jacob Welchs, alemães oriundos de Santa Cruz do Sul, os quais construíram as primeiras casas e deram início à agricultura, na região. Em 1919, aproximadamente, Frederico Becker comprou uma área de terra de Abílio Rodrigues e instalou uma serraria, dando início ao comércio e também à indústria, vendendo farinha de mandioca de uma tafona. Nesta mesma época, chegaram Albino Martins Wendel, que construiu e instalou a primeira ferraria; Fritz Simon. Instalou em uma casa comercial; Artur Pires Montou uma selaria; Augusto Mohr, Alfredo Schneider e Avelino Lang compraram o restante das terras de Abílio e, mais tarde, revenderam aos novos moradores que vinham chegando, dentre eles, as famílias Shmidt, Kaufmann, Kurtz.

Assim, os habitantes, a maioria de origem alémã, foi se preocupando com as novas necessidades e prioridades da comunidade.

Com o passar do tempo, essas famílias somaram-se a outras que formavam a comunidade de Tunas. Houve desenvolvimento, melhorando a infraestrutura da época. A educação em Tunas começou por volta de 1930. Não existia escola na época. As crianças estudavam nas dependências de uma casa cedida por uma família. Os professores eram pagos e vinham de outras localidades. A primeira professora foi Ilda Phail, que vinha de Coloninha, aproximadamente de Tunas. Após o ano de 1945, começaram a ser construídas as primeiras escolas municipais, cujos professores passaram a ser pagos pelos cofres do município. Em 1934, chegou a Tunas, Cláudio Klein, primeiro pastor que iniciou os cultos, realizados em casas particulares, sendo que, em 1946, foi fundada a comunidade. Em 1955, foi construída a primeira Igreja Evangélica Luterana, hoje denominada Comunidade Evangélica Luterana São Pedro de Tunas, paróquia que foi atendida pelos pastores Walter Klaudat (atendeu a comunidade aproximadamente 30 anos) e Irineu Strasburger (estagiário). Também foi atendida pelos pastores Danilo Fach Oldergarth e Aldino Borth.

A Igreja Católica, na região, era atendida pelos padres capuchinhos. Em 8 de dezembro de 1959, foi criada a paróquia, tendo como padroeira Nossa Senhora da Conceição, onde o primeiro pároco foi Ettore Jachemet e seus sucessores foram o padre Albert Ludovico, padre Antônio Marcos Fabis, o frei Théo Monteiro, o frei Nadir Segala, que permaneceu por mais tempo .

Em 1970, teve início a mecanização das lavouras de trigo e, posteriormente de soja.

Fazendo parte do 4° distrito de Soledade, a comunidade encontrava-se longe e isolada da cidade-mãe em termos de rodovia. Então, iniciou outra luta árdua, como a da colonização. Essa era a luta pela emancipação político-administrativa. No ano de 1981, iniciou-se o movimento pró-emancipação de Tunas, mas não prosperou pela pouca mobilização da comunidade. Só em outubro de 1985 reiniciaram-se os trabalhos pró-emancipacionistas, quando foi formada a Comissão de Emancipação, assim constituída:residente: Claucídio Wendel; Vice-presidente: Eduardo José Schmitt;1° Secretário: Renato José Klafke;

2° Secretário: Frei Théo Monteiro;1° Tesoureiro: Armindo Weise;2° Tesoureiro: Alvárino Jacob Unfer;

Conselho Fiscal: Faustino Tavares, Evaldo Bohrer e Rubrech Kurtz; Suplentes: Ides Gerto Wendler, Nestor Kaufmann e David Fantoni.Neste período foi feito o cadastramento e reuniões de conscientização em toda a área a ser emancipada. Em setembro de 1987 o projeto foi entregue à Comissão Geral de Emancipações, na Assembléia Legislativa, em Porto Alegre, sendo protocolado no mesmo mês. Em 20 de setembro de 1987 foi autorizado o plebiscito, onde foram registrados 1469 votos SIM, 60 votos NÃO, 06 votos em branco e 05 votos nulos.Em 08 de dezembro de 1987 foi sancionada pelo governador Pedro Simon a Lei n° 8.447 criando o município de Tunas, publicada no Diário Oficial da mesma data.

Cria o município de Tunas.Pedro Simon, governador do Estado do Rio Grande do Sul:

Faço saber, em cumprimento ao disposto no artigo 66, item IV da Constituição do estado que a Assembléia Legislativa decretou e eu sanciono e promulgo a Lei seguinte:

Art.1° – É crido o município de Tunas, constituído do distrito do município de Soledade.

Parágrafo único – O território do novo Município fica com os seguintes limites:

AO LESTE: com o município de Soledade, Barra da Sanga, Cafife no Rio dos Caixões, desde o ponto da linha seca e reta aproximadamente até a foz do Arroio dos Tocos, pelo Manjolo até a sua nascente junto à estrada Tunas-Cerca Velha; por esta estrada em direção oeste, num percurso de aproximadamente , onde confronta com a nascente de uma sanga (afluente do Arroio Despraiado); pela referida sanga até o Arroio Despraiado (ponto este a leste da estrada SL-473); deste ponto rumo a sudeste, por linha seca e reta de aproximadamente , até a estrada Coloninha com a estrada SL-121 (Pinhalzinho-Bela Vista) na encruzilhada do Saul.A OESTE: com o município de Arroio do Tigre, Arroio Palmital até sua foz no Arroio Despraiado e por este até o Rio dos Caixões.

AO SUL: com o município de Lagoão, Estrada SL-121 (Bela Vista-Pinhalzinho), rumo sul, até um ponto aproximadamente do sul do se entroncamento com estrada Campestre-Miguel Antunes Vieira, na propriedade de Armando Nunes inclusive, onde encontra um afluente do Arroio Lagoãozinho; deste ponto rumo a noroeste, por linha seca e reta, aproximadamente até a nascente do Arroio Xaxim, junto à estrada da Coloninha; por esta estrada até a nascente do Arroio Palmital até a sua foz no Arroio Despraiado, e por este até o Rio dos Caixões.AO NORTE: com o município de Salto do Jacui e de Espumoso, inicia na barra do Arroio Despraiado, Rio dos Caixões, e por este acima até a Barra da Sanga do Cafife.Art. 3° – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art.4° – Revogam-se as disposições em contrário.

Palácio Piratini, em Porto Alegre, 08 de dezembro de 1987.Pedro Simon – Governador do Estado