História

UM RESUMO SOBRE A HISTÓRIA DE TUNAS
Por: João Riél Manuel Nunes Vieira de Oliveira Brito autor do livro: Tunas RS, 116 anos de fundação, 03 décadas de autonomia.
Tunas é filha de Soledade, neta de Passo Fundo, bisneta de Cruz Alta, trineta de Rio Pardo, sendo uma ilustre componente desse território do promissor Estado do Rio Grande do Sul, antiga Capitania e Província do Rio Grande de São Pedro.

Os primeiros habitantes do território tunense antes da presença do homem branco foram os nativos chamados povos Pré-cerâmicos, denominados de Tradição Umbu e Humaitá. Eles subiram a serra, costeando o Rio Pardo e seguindo seus afluentes (Caixão, Despraiado, etc…) onde construíram suas primeiras habitações, prova disso, são os restos de cerâmicas e instrumentos de pedras lascadas encontradas em várias regiões do território tunense, em especial próximos a regatos e rios maiores, da mesma forma as cavernas, buracos e grutas existentes nas rochas, que alguns habitantes chamam de “tocas dos bugres”, sabendo que esses locais ainda não foram desbravados pelos estudiosos.

A região de Tunas possivelmente pertenceu a Redução de São Joaquim, fundada em 1633, destruída em 1637 pelas forças de Raposo Tavares, que capituraram os índios para escravizá-los em São Paulo. Desde a destruição e abandono da redução de São Joaquim, até o princípio do século seguinte a região da grande Soledade e onde hoje se encontra o município de Tunas, ficou povoada apenas por índios produtores de erva-mate, que embrenhados nas matas, conseguiam escapar dos bandeirantes, até que as expedições cessaram em 1640.

Após 1788 expedições oficiais organizadas pela Coroa Portuguesa foram enviadas à região dos Campos de Soledade para vistoriar e relatar as riquezas naturais aqui existentes. Muitos dos expedicionários que desbravaram a região nutriram o desejo de se apossarem desses campos ainda sem donos. A abertura da Picada Botucaraí, em 1810, teve importante papel no desenvolvimento da região, pois se buscava com ela uma comunicação direta entre Rio Pardo e o Planalto.

Após 1810 com as concessões de Sesmarias, a região de Tunas começaria a ser desbravada de forma oficial, tendo como proprietários integrantes da tradicional família Correa da Câmara e Atanagildo Rodrigues da Silva, que após 1830 começa a comprar suas posses que somariam mais de 20 mil hectares de terras nessa região, junto com ele as famílias Borges, Ortiz, Rocha, Brum, Batista, Bohrer e um imigrante alemão Kurt Florian Von Reuter adquiriram grandes posses no território tunense. A sede da atual cidade de Tunas foi propriedade dos herdeiros de Atanagildo, que receberam a missão de vender suas muitas terras para os imigrantes que aqui chegavam.

Até 1809 são criados os 04 primeiros municípios do Estado: Porto Alegre, Rio Pardo, Rio Grande e Santo Antônio da Patrulha. Essa divisão primordial daria origem a todos os demais municípios que surgiram no Rio Grande do Sul, em 1819, foi criado Cachoeira, em 1833 Cruz Alta, onde nossa região fez parte do seu 3º distrito chamado Botucaraí, o município de Passo Fundo é criado em 1857, Soledade se torna município no ano de 1875, a Colônia das Tunas é criada por ato municipal nº 78, de 02-01-1903, antes disso o nome Tunas é muito pouco ou raramente citado em escrituras e documentos em geral, sendo apenas um vasto pedaço de terra dentro da grande Fazenda Santa Cruz do Pedregal, aparecendo pela primeira vez em uma escritura pública no ano de 1912. No ano de 1938 Tunas passa a integrar a Segunda Zona do Distrito de Jacuizinho, para somente entre 1948 e 1950, permanecer com a atual denominação “Distrito de Tunas” inclusive nos registros cartorários.

A história de Tunas é muito mais antiga do que muitos imaginam, temos mais de 115 anos de fundação da Colônia, fora os registros encontrados de localidades dentro do território de Tunas ( Herval da Cidade), que remontam o ano de 1844, o que nos legaria mais de 170 anos de história.

De 1800 a 1900, tempo de formação dos povoados do Rio Grande do Sul, época em que havia pouca comunicação e pouco meio de transporte, carreteiros alemães que vinham de Porto Alegre a Cruz Alta até à fronteira, trazendo mercadorias como charque, sal, utensílios domésticos, tecidos, Louças e pequenos moveis nas grandes carretas puxadas por várias juntas de bois, passavam por Tunas.O local ficou conhecido por Tunas, pois ali existia uma planta da família das cactáceas de nome tuna. Assim, Tunas ficou conhecida e nasceu especificamente no ano de 1912, quando o fazendeiro Abílio Rodrigues da Silva, neto de Atanagildo Rodrigues da Silva, que morava em Soledade, começou a se desfazer de uma terra que não ocupava vendendo boa parte da região fértil a Jacó Teleken e Jacob Welchs, alemães oriundos de Santa Cruz do Sul, os quais construíram as primeiras casas e deram início a agricultura, na região.

Em 1919, aproximadamente, Frederico Becker comprou uma área de terra de Abílio Rodrigues e instalou uma serraria, dando início ao comércio e, também à indústria, vendendo farinha de mandioca de uma tafona. Nesta mesma época chegaram Albino Martins wendel, que construiu e instalou a primeira ferraria; Fritz Simon instalou uma casa comercial; Artur Simões Pires montou uma selaria; Augusto Mohr, Alfredo Schereiner e Avelino Lang, também compraram terras de Abílio e mais tarde revenderam aos novos moradores que vinham chegando, dentre eles as famílias Schmitt, Kaufmann, Kurtz, Bohn, Paider, Rauber, Sott, Jung, Wulff, etc… Assim, os habitantes, a maioria de origem alemã, foram se preocupando com as novas necessidades e prioridades da comunidade.

Com o passar do tempo essas famílias somaram-se a outras que formavam a comunidade de Tunas. Houve desenvolvimento, melhorando a infraestrutura. A educação em Tunas começou por volta de 1930. Não existia escola na época. As crianças estudavam nas dependências de uma casa cedida por uma família ou no prédio da igreja. Os professores eram pagos e vinham de outras localidades. A primeira professora foi Ilda Phail, que vinha do distrito de Coloninha, com uma distância aproximadamente de 15 km de Tunas. Após o ano de 1945 começaram a serem construídas as primeiras escolas municipais, cujos professores passaram a ser pagos pelos cofres do município.

Em 1934 chegou a Tunas Cláudio Klein, primeiro pastor que iniciou os cultos, realizados em casas particulares, sendo que em 1946 foi fundada a comunidade. Em 1955 foi construída a primeira Igreja Evangélica Luterana, hoje denominada Comunidade Evangélica Luterana São Pedro de Tunas, que foi atendida pelos pastores Walter Klaudat ( atendeu a comunidade aproximadamente 30 anos) e Irineu Strasburger, Danilo Fach Oldergarth, Aldino Borth, Walter Bechier, Gilmar Arnich, etc.

A Igreja Católica na região era atendida pelos padres capuchinhos. Em 08 de dezembro de 1959 foi criada a paróquia, tendo como padroeira Nossa Senhora da Conceição, onde o primeiro pároco foi Ettore Jachemet e seus sucessores foram Albert Ludovico, Antonio Marcos Fabris, frei Théo Monteiro, frei Nadir Segala, que permaneceu por mais tempo, padre Luiz Santin, Magnus Camargo, Padre Gilberto e Cleverson Portolan.

Em 1970 teve início a mecanização das lavouras de trigo e posteriormente de soja.
Fazendo parte do 4° distrito de Soledade a comunidade encontrava-se longe e isolada da cidade-mãe em termos de rodovia. Então iniciou outra luta árdua, como a da colonização. Essa era a luta pela emancipação político-administrativa. No ano de 1981 iniciou-se o movimento pró-emancipação de Tunas, mas não prosperou pela pouca mobilização da comunidade. Só em outubro de 1985 reiniciaram-se os trabalhos pró-emancipacionistas, quando foi formada a Comissão de Emancipação, assim constituída:
Presidente: Claucídio Wendel; Vice-presidente: Eduardo José Schmitt;1° Secretário: Renato José Klafke; 2° Secretário: Frei Théo Monteiro;1° Tesoureiro: Armindo Weise;2° Tesoureiro: Alvarino Jacob Unfer; Conselho Fiscal: Faustino Tavares, Evaldo Bohrer e Rubrech Kurtz;
Suplentes: Ides Gerto Wendler, Nestor Kaufmann e David Fantoni.

Neste período foi feito o cadastramento e reuniões de conscientização em toda a área a ser emancipada. Em setembro de 1987 o projeto foi entregue à Comissão Geral de Emancipações, na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre, sendo protocolado no mesmo mês. Em 20 de setembro de 1987 foi autorizado o plebiscito, onde foram registrados 1469 votos SIM, 60 votos NÃO, 06 votos em branco e 05 votos nulos. Em 08 de dezembro de 1987 foi sancionada pelo governador Pedro Simon a Lei n° 8.447 criando o município de Tunas, publicada no Diário Oficial da mesma data.
Cria O município de Tunas. Pedro Simon, governador do Estado do Rio Grande do Sul:
Faço saber, em cumprimento ao disposto no artigo 66, item IV da Constituição do estado que a Assembléia Legislativa decretou e eu sanciono e promulgo a Lei seguinte:

Art.1° – É criado o município de Tunas, constituído do distrito do município de Soledade.
Parágrafo único – O território do novo Município fica com os seguintes limites:

AO LESTE: com o município de Soledade, Barra da Sanga, Cafife no Rio dos Caixões, desde o ponto da linha seca e reta aproximadamente 3.500 metros até a foz do Arroio dos Tocos, pelo Manjolo até a sua nascente junto à estrada Tunas-Cerca Velha; por esta estrada em direção oeste, num percurso de aproximadamente 600 metros, onde confronta com a nascente de uma sanga (afluente do Arroio Despraiado); pela referida sanga até o Arroio Despraiado (ponto este a leste da estrada SL-473); deste ponto rumo a sudeste, por linha seca e reta de aproximadamente 5.500 metros, até a estrada Coloninha com a estrada SL-121 (Pinhalzinho-Bela Vista) na encruzilhada do Saul.
A OESTE: com o município de Arroio do Tigre, Arroio Palmital até sua foz no Arroio Despraiado e por este até o Rio dos Caixões.
AO SUL: com o município de Lagoão, Estrada SL-121 (Bela Vista-Pinhalzinho), rumo sul, até um ponto aproximadamente 150 metros do sul do se entroncamento com estrada Campestre-Miguel Antunes Vieira, na propriedade de Armando Nunes inclusive, onde encontra um afluente do Arroio Lagoãozinho; deste ponto rumo a noroeste, por linha seca e reta, aproximadamente 4.000 metros até a nascente do Arroio Xaxim, junto à estrada da Coloninha; por esta estrada até a nascente do Arroio Palmital até a sua foz no Arroio Despraiado, e por este até o Rio dos Caixões.
AO NORTE: com o município de Salto do Jacui e de Espumoso, inicia na barra do Arroio Despraiado, Rio dos Caixões, e por este acima até a Barra da Sanga do Cafife.
Art. 2° – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art.3° – Revogam-se as disposições em contrário.
Palácio Piratini, em Porto Alegre, 08 de dezembro de 1987.
Pedro Simon – Governador do Estado
Waldir Walter – Secretário de Estado da Justiça.
Cezar Augusto Schirmer – Secretário de Estado da Fazenda.
Registre-se e publique-se
Ladislau F. Rohnet – Chefe da Casa Civil